• Da Redação

Ex-secretário de Meio Ambiente de Jaboatão, Márcio Mendes, se pronuncia sobre prêmio da ONU

Ele ressaltou que esse reconhecimento foi fruto de um trabalho iniciado em 2009, com o fechamento do Lixão da Muribeca



Publicado no Blog de Jamildo


O consultor empresarial e ex-secretário de Meio Ambiente do Jaboatão dos Guararapes, Márcio Mendes, se pronunciou sobre o prêmio ONU - United Nations Public Service Awards, recebido pelo prefeito do Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, que aconteceu nesta segunda (24/06), cidade de Baku, na República do Azerbaijão:


Neste dia, 24/06, o programa de Coleta Seletiva de Jaboatão dos Guararapes receberá, na cidade de Baku, na República do Azerbaijão, o prêmio da ONU - United Nations Public Service Awards, concedido a gestões públicas que promovem ações de destaque em direitos humanos e erradicação da pobreza.


O United Nations Public Service Awards é dado a gestões públicas que promovem ações de destaque em direitos humanos e erradicação da pobreza. O United Nations Public Service Awards é concedido a práticas de excelência no setor público e de apoio ao fomento de objetivos de desenvolvimento sustentável.


Ao tomar conhecimento dessa notícia, sentimos de alegria, orgulho, capacidade e esperança de um Brasil melhor me invadiu.


Mas para entender esses sentimentos, voltemos no tempo, há 10 anos atrás, quando tive a honra de exercer o cargo de secretário de Meio Ambiente, na gestão do então prefeito de Jaboatão Elias Gomes.


Após grandes debates e embates políticos, o fechamento do aterro sanitário, conhecido como o lixão da Muribeca, ocorrido no dia 2 de julho de 2009, decorrente de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e as Prefeituras de Jaboatão dos Guararapes, Recife e Moreno, deu origem ao maior programa de coleta seletiva do Nordeste.


Recordemos. O Lixão da Muribeca abrigava em 2009, exatos 1268 catadores. Desses, mais de 90% residiam no entorno do aterro sanitário, e pelo TAC (termo de ajustamento de conduta), a responsabilidade do passivo sócio/ambiental pertinente a Jaboatão, era de 20% desse total, a do Recife 77%, 3% ao município de Moreno, restando ao município de Jaboatão a responsabilidade sócio/ambiental sobre uma cota de 149 homens e 105 mulheres, totalizando 254 catadores.


Naquele momento deu-se início a criação de um programa de assistência aos 254 ex-catadores que cabiam ao município de Jaboatão. Eles receberam uma bolsa-auxílio no valor de um salário mínimo pelo período de seis meses e capacitação que inclui aulas de contabilidade, associativismo, educação ambiental, saúde, cooperativismo, disciplina, hierarquia e cidadania. Os homens também aprenderam, na prática, varrição e capinação, enquanto as mulheres atuaram na limpeza em unidades de saúde, creches e escolas.

Em parapelo deu-se início ao Projeto de Coleta Seletiva, que tinha como meta inicial cerca de três mil toneladas/mês, o equivalente a 100 carretas. O projeto previa a empregabilidade de 750 catadores, o que permitiria a contratação de todos os 254 catadores do Lixão da Muribeca que até lá não conseguissem se inserir no mercado de trabalho, pós capacitação.


O projeto inicialmente previa a instalação de uma Central de Comercialização e de 30 galpões que seriam distribuídos por todo o município. Em fevereiro de 2010, já haviam 04 galpões construídos. O conceito inicial era a de construção de um galpão para cada 25 mil habitantes e cada galpão acolheria entre 20 a 25 catadores, que receberiam carroças customizadas e equipamentos adequados. Dos galpões o material seguiria em caminhões baú para a Central Única de Comercialização. A distribuição geográfica possibilitaria a cada catador reciclar cerca de quatro toneladas/mês e assim obter uma renda mensal de R$5000,00, valores de 2009.


Parcerias com a iniciativa privada foram firmadas, como por exemplo com a Companhia Industrial de Vidros (CIV) e o projeto foi iniciado.


Recordo-me que o que havia no lixão era um regime de semi-escravidão, como os ex-catadores trabalhando em condições subumanas, totalmente dependente dos atravessadores.


Me vem a memória as reuniões tensas, difíceis que travamos, as críticas de setores da sociedade que não compreendiam o alcance dos projetos, mas essa luta realizada e iniciada em nossa gestão não foi em vão, tanto é verdade que rendeu frutos. Como se fosse uma semente lançada em prol de se restabelecer a dignidade do ser humano, a dignidade de centenas de famílias.


Logo no início, uma campanha de sensibilização e participação da população foi realizada, tendo os moradores de Jaboatão receberam sacos plásticos na cor verde para juntar o lixo seco, que era coletado uma ou duas vezes por semana, de acordo com a localização.

A expectativa que existia na época era que Jaboatão pudesse alcançar o índice de reciclagem alçado pela cidade de Londrina (PR), na ordem de 34%, que servia e ainda serve de referência no país.


O lixo que um dia tirava a dignidade dos catadores era e é o mesmo lixo que devolveu e devolve a dignidade, trazendo vida nova a centenas de famílias.


Hoje Jaboatão recebe um prêmio, um reconhecimento da ONU pela política pública de reciclagem de lixo e inclusão social. Foram avaliados requisitos como erradicação da pobreza, saúde e bem estar, redução das desigualdades, emprego digno, crescimento econômico e sustentabilidade. É um selo que denuncia que estávamos certos em dar início a esse tão belo e necessário projeto.


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