• Da Redação

Artigo - E essa tal pós-modernidade e a política


Por Thiago Modenesi Professor permanente do Mestrado em Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste da UFPE e do Mestrado em Inovacão e Desenvolvimento da UNIFG


Muito se fala sobre a tal pós-modernidade, há todo um debate sobre a valorização dos indivíduos em detrimento de aspirações coletivas, da busca do que representa o “eu” como algo prioritário em relação ao “nós”, mas também como se tal movimento estivesse pleno apenas de novas ideias.

Isso não é bem verdade. Desde que o mundo é mundo o capitalismo apregoa e incentiva o individualismo e a concorrência entre pessoas acima de tudo, está no DNA desse sistema, é forte componente para que o mesmo siga adiante.

Parte disso é a negação da política e, em particular, dos partidos. Cresce há décadas no Brasil a ideia de que as agremiações partidárias seriam apenas estruturas burocráticas que representam interesses de minorias encasteladas nos aparelhos partidários.

No século 19, na sua primeira metade, surgem os partidos políticos na Europa e nos Estados Unidos, aqui profundamente marcados como representantes das elites econômicas e sociais. Eram partidos apenas para os períodos eleitorais e representavam instrumentos para amealhar votos aos candidatos da burguesia e da elite da época.

A expansão dos direitos políticos resultou na integração de setores cada vez mais amplos da sociedade civil no sistema político. A emancipação e inclusão política das massas populares foram acompanhadas por transformações econômicas e sociais provocadas pela modernização das sociedades.

Desses processos surgem os partidos políticos de massa no século XX, cuja organização assume feição distinta. Já não se trata aqui de uma organização difusa e temporária, tal como os partidos elitistas, mas uma organização com programas políticos definidos e com ligação com setores mais amplos da sociedade.

Os partidos de massa surgiram para canalizar as demandas políticas de um eleitorado específico, ou seja, as classes trabalhadoras. Exemplos do aparecimento dos partidos políticos de massa são os partidos dos trabalhadores e os partidos socialistas, especialmente na Europa de fins do século 19 e início do século 20.

A ideia ainda forte no Brasil de hoje com uma política apoiada em pessoas e não em partidos não faz bem a democracia brasileira, enfraquece a estrutura coletiva de representação a qual deveria estar representada nos partidos, em particular nos chamados partidos ideológicos e sobrepõe interesses de indivíduos a demandas coletivas.

O nosso país precisa de partidos fortes, perenes, históricos, com ligação de massa e que efetivamente representem o povo brasileiro. Temos várias agremiações com décadas de existência e um partido quase centenário, o Partido Comunista do Brasil, criado em 1922 como PCB e refundado em 1962 com nova sigla PCdoB.

No formato de hoje indivíduos se tornam mais importantes que ideias, se elegem por partidos frágeis, os chamados partidos de aluguel, e não se vinculam a um programa nem de governo nem de partido, algo perigoso para a democracia, visto que se dá um voto de confiança a uma pessoa e não a um agrupamento político que representa ideias para um país determinado.

Foi assim com Collor em 1989, eleito por um partido criado para aquela disputa, o PRN, e que não possuía identidade alguma programática ou histórica e deu no que deu.

Urge uma real reforma política que fortaleça a estrutura partidária entendendo a mesma como um espaço para a construção e representação de ideias de maneira organizada dos diversos setores da nossa sociedade, estes precisam de representação parlamentar para dar voz em nossa democracia.

Os partidos de aluguel, extemporâneos, que não representam setores reais do Brasil, esses fragilizam o processo democrático, criam a sensação que temos partidos em demasia, o que não ajuda o legislativo a enfrentar o real problema: a existência de siglas de negociatas, descoladas da luta do povo e da representação de segmentos sociais.

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